terça-feira, 7 de junho de 2011

A Helena é uma cebola

 O que o inverno tem a ver com cebolas?

Eu gosto do inverno e poderia listar alguns motivos que justificassem isso, mas vou ater-me a apenas um deles. É no inverno que a Helena erra a mão e faz verdadeiras acrobacias dentro do armário.

Vocês já notaram que a Helena consegue fazer as mais psicodélicas combinações de cores e padrões certo? Durante o inverno isso só melhora (piora?) pois o número de peças que ela tem que vestir é bem maior. Aqui em Curitiba, no inverno, é assim: faz um frio danado pela manhã, na hora do almoço esquenta e já no final do dia a temperatura despenca. Devido a essa peculiaridade climática muitas vezes vi minha colega chegar vestindo quatro blusas, três tipos de meia, vestido, saia, calça jeans, jaqueta e cachecol e, ao longo do dia, ir tirando as peças uma a uma até ficar quase desnuda. Eu olhava aquilo e achava muito divertido até que um dia olhei para ela e disse:

- Helena, você parece uma cebola.
- Por quê? Não entendi.
- Porque você é cheia de camadas. Nunca assistiu Shrek?


- Pra sua informação, há mais do se imagina nos ogros.
- Exemplo?
- Exemplo? Ok… Ah… Nós somos como cebolas.
- Fedem?
- Sim. Não!
- Oh. Fazem você chorar.
- Não.
- Oh, deixa eles no sol e eles ficam marrons e soltam aqueles cabelinhos…
- Não! Camadas! As cebolas têm camadas, os ogros têm camadas. A cebola tem camadas, entendeu? Nós dois temos camadas.
- Oh, vocês dois têm camadas. Oh. Sabe, nem todo mundo gosta de cebolas. Bolo! Todo mundo adora bolo! E tem camadas.
- Eu não ligo pro que todo mundo gosta! Ogros não são como bolos.

Resumindo: as cebolas têm camadas, os ogros têm camadas e a Helena tem camadas.

Nossa cebola bem agasalhada. No reflexo do espelho, a privada denuncia que nossa sessão de fotos rolou no banheiro.

E foi-se a primeira camada

Adeus Gorrinho

Um vestido! E pior, ainda tem mais uma blusa por baixo

Finalmente, a (quase) descascada Helena.

Detalhe para a meia de tricô que a vovó fez
Deu pra encher o cabide

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu modelava

Dia desses vim trabalhar de vestido. Sou uma pessoa tímida e discreta e pensei ter passado despercebida pela portaria, mas eis que o telefone toca:

“Fiquei sabendo que você está uma graça hoje. Vou aí te fotografar.”

Mais tarde a Helena apareceu na minha sala com a máquina em punho, pronta para uma sessão de fotos. O problema é que eu não levo jeito pra modelo, pra fazer caras e bocas; então sempre acho que minhas fotos saem assim...bem mais-ou-menos.

Kátia, à princípio "mais-ou-menos", no seu look meigo: vestido azul rodado e blusa verde de tricô
O vestido de bolinhas, que com o flash ficou parecendo mais um céu de estrelas!
Ontem, mexendo numas fotos antigas, descobri que num passado não tão distante eu pagava de modelo. É minha gente, eu modelava.

Tudo combinando em azul turquesa: saia, blusa, tiara, a melissa e até a roupa da boneca
A pose

Garota do Fantástico 1986
Na laje

E depois a Kátia diz que é tímida... detalhe da pulseira


terça-feira, 24 de maio de 2011

Vovó caia no armário

Vasculhando os armários da vovó, encontrei umas revistas de 1954, Jornal das Moças, ou o Manequim de hoje. Minha vó é filha de costureira com alfaiate, e aprendeu a costurar desde nova. Assinava o tal Jornal das Moças pra ficar por dentro dos modelitos da época, e já ir aprendendo a fazer seus moldes, pra poder cair no armário com elegância. Agora quem está disposta a aprender a costurar sou eu, só falta o tempo e o capricho (sinceramente, não sou lá muita atenta a acabamentos). 
Mas a idéia do post de hoje não é assombrá-los com meus futuros modelitos costurados por mim mesma, mas sim mostrar umas páginas do tal Jornal das Moças, e ver que, fora as cinturas que nunca mais serão as mesmas, os modelos, cores e estampas vão e voltam. E as roupas do carnaval de 50 são as que a gente usa no dia-a-dia, quase. Engraçado é que eu me identifiquei mesmo foi com os vestidos de criança, hehehe.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Moda no mundo bovino

Esse blog está fazendo tanto sucesso que até os animais estão caindo no armário; ou tentando.

Um boi, fã confesso da Lady Gaga, ao ver sua musa trajando um vestido feito de carne pensou: se ela pode, eu também. O bovino, cheio de si, passou a mão no cartão de crédito e se jogou dentro de uma loja. Para seu azar a loja não trabalhava com tamanhos grandes e após uma hora de entra e sai do provador, o pobre boizinho teve que ir embora de mãos vazias.


Leia a notícia na íntegra clicando aqui.

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PS: Post sugerido por nosso amigo Amilton, nosso leitor assíduo de cabelo espetado. Obrigada!!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Anagrama

Encontrei a Samantha e elogiei sua roupa elegante: primeiro o colete, num estilo de alfaiataria retrô, um luxo. Depois, comentei da calça de veludo preta, quando ela me corrigiu: 

-Veludo não, amiga, cotelê - colocando a língua pra fora como uma francesa que queimou a língua.

Minha mente então me jogou para um episódio longínquo de minha vida - imaginem como nos filmes, eu rodando e caindo sobre uma superfície psicodélica de sonho, a palavra cotelê ecoando - quando aprendi o significado da palavra anagrama:
Certa vez ganhei de uma amiga muito querida uma camiseta da Candyland. Pois é, há poucos anos atrás eu só usava camiseta, e nada de regata, pois não gostava de mostrar os ombros...pois é, o tempo passa, as coisas mudam, a gente envelhece e muda de idéia. Bom, as camisetas da Candyland tinham estampas únicas, feitas por artistas convidados, e no caso da camiseta que eu ganhei, num tom de verde exército com detalhes em abóbora (para os homens: laranja), a estampa tratava-se de um grafite de um carro estilizado, com a palavra OLIX escrita em caixa alta. A camiseta não era muito grande, visto que era para o meu tamanho, e ela vinha com uma etiqueta pendurada quase do tamanho dela. Nesta, havia a mesma estampa da camiseta, o nome do artista e a explicação do desenho, que era realmente um grafite feito num muro na cidade de São Paulo, e que as letras formavam um anagrama. Fiquei curiosa pra saber o que seria um anagrama, e o maldito dicionário me explicou: quando mudamos a ordem das letras de uma palavra, temos um anagrama, e consequentemente outra palavra, real ou não. Nesse caso, eu estava andando por aí me achando com uma camiseta com um anagrama de LIXO. Maravilha.

Samantha me chama.

- Helena, Helena... por que você tá babando?

Aos poucos, retorno da memória-sonho. Calmamente, como um monge que por anos fitou a mosca sobre o próprio nariz para encontrar a iluminação, digo:

-Sua roupa é um anagrama, Samantha. Cotelê e Colete.
 
Samantha me olha com aquela cara de "ué". Vou embora, com a sensação de ter voltado de uma viagem psicodélica do LSD que eu nunca tomei.


ps.: Como todo mundo pode perceber, tivemos um problema técnico-mental com a fotógrafa, que simplesmente não fez o serviço dela. Esse negócio de contratação pelo menor preço, sabe como é...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Casar, comprar uma bicicleta ou falar de homens de meia-idade?

Kátia estava usando uma camiseta que ela já usou outra vez. Eu não sei bem o que é que me chama a atenção, se é o tecido, se a estampa envelhecida, o corte ou a Katia de amarelo. Sei que da outra vez eu também reparei e comentei, e tenho certeza que não fui a única. A peça-chave (!) do look (!!) da Katia, certamente, era a camiseta amarela clara, que foi colocada em destaque com a calça skini (putamerdacomoescreveisso) em jeans escuro e a sapatilha preta. Um look clean, nem um pouco desconectado (como os sabidos da moda chamariam as minhas roupas), versátil e utilitário para os desafios do dia-a-dia. (tô ficando boa nesse linguajar de modista, ein!)





A estampa da camiseta, com tons de marrom e sépia, retrata um senhor de meia-idade (tipo você, que leu essa frase e pensou, serei eu um senhor de meia-idade?, huhum, maroto!) e que eu me lembre uma bicicleta.
 
Ok, pessoal, momento para conversarmos SÉRIO. Sei que vocês são bem espertinhos e já sacaram a falha. Eu escrevi esse texto já eram 11h da noite e não tinha a foto pra confirmar o desenho da camiseta. Vendo-o hoje, percebi que não há qualquer bicicleta na estampa. Pois bem, vocês hão de concordar comigo que uma bicicleta caberia muito bem ao lado do senhor de meia-idade, não é mesmo? Super retrô. Pois é, não tem bicicleta nenhuma ali. Porém, leitores sedentos por novidades, faremos agora um pacto ficcional, e no lugar do barquinho em baixo, imaginaremos - vamos lá, deixe de preguiça - uma bicicleta! Sim, uma bicicleta, pra não estragar a ligação com a história toda que eu vou contar aqui, e que prometo ser engraçada. Vocês devem ter ouvido quando crianças - talvez os senhores de meia-idade tenham ouvido na adolescência, mas não tem problema - aquela música do disco do Plunct-Plact-Zum que dizia use a imaginação. Pois é isso que eu estou pedindo pra vocês, combinado?

Voltando:

A estampa da camiseta, com tons de marrom e sépia, retrata um senhor de meia-idade e uma bicicleta (Olha lá o pacto, ein!), o que me leva a fantástica expressão não sei se caso ou compro uma bicicleta.

Digitando essa frase toda no oráculo Google, temos uma lista de blogs e sites femininos, além do yahooperguntassemresposta com uma besteira atrás da outra pra você se divertir sabendo que tem gente no mundo que realmente pergunta essas coisas. Mas o que mais me surpreendeu foi o texto que indicava para o site da revista EXAME: A operação brasileira do grupo Bunge mostra até que ponto uma estratégia errática pode comprometer um negócio. Confesso que quando li isso fiquei com medo e resolvi parar de pesquisar. Mas tenho uma história que explica muito bem o porque dessa belíssima expressão da língua portuguesa.
 
Uma conhecida, cujo nome não citarei pra que os tarados (alguém?) e curiosos de plantão não resolvam segui-la, um dia resolveu andar muitos quilômetros em sua bicicleta nova. Como todo ossinho da bunda deve saber, bicicletas não são feitas para andar quilômetros sem causar dores ou formigamentos anais. Mas essa moça, que chamarei de ciclista, resolveu desafiar seus próprios limites e andar durante quase o dia todo de bicicleta, afinal, a dor só vem mesmo no dia seguinte, e você fica andando que nem uma pessoa com hemorróidas e que comeu comida mexicana.

A ciclista andou muito, mas muito mesmo, sem qualquer preparo anterior além de um leve alongamento. Lá pelo trigésimo quilômetro, os ossinhos da sua bunda já estavam amortecidos, a perna já tinha cansado de se cansar e as costas já estavam travadas em posição de ciclista. De repente, começou o formigamento...numa parte um pouco mais embaixo do esperado, o que causou na ciclista uma sensação estranha e prazerosa, que ela nunca tinha imaginado conseguir trepada sobre uma bicicleta.

Resumindo: cogitar entre casar ou ter uma bicicleta tem a ver com, digamos, o êxtase tântrico, a éguinha pocotó e aquele papinho de que sexo é vida mais da metade dos homens tem problema de ereção da propaganda que sempre passa na hora do meu mingau matinal e me lembra que está na hora de cair no armário.